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Depois dos partos nos Presídios Femininos, nasce uma problemática importante:- A separação das mães e filhos após o período de amamentação. Qual será o destino desses bebes?
Por:
Elizabeth Misciasci
A Separação filho e mãe, após o período de aleitamento materno é um dos momentos mais dolorosos
do cárcere feminino, pois os quatro ou seis meses que mães encarceradas
permanecem com seus bebes, são diferentes da gestação e concepção extra
grades.
A prioridade em mantê-los integramente juntos, faz com que este tempo seja sagrado e único, pois a única certeza existente é que logo haverá um adeus, que em milhares de casos, será para sempre. Em 98% dos casos os laços se fazem mais intensos, aonde um precisa incondicionalmente do outro, afetividade e amor que já nasce no útero seguindo lamentosamente durante a gravidez, que traz o peso da culpa que a mãe carrega. Condição muito além do sentimento maternal desenvolvido em lares perfeitos, com filhos sonhados e planejados. Pois gerando uma vida nos cárceres e neste concebendo, a Mulher normalmente vislumbra neste novo ser, uma nova concepção de futuro, alterando conceitos e levando muitas a repensarem seus erros.
O que antes, não havia sido medido, torna-se arruinado e esta consciência é clara deixando que as próprias cobranças interiores de cada mulher grávida na condição de presa, se condene impiedosamente, para tentar pagar como pode seu erro. Todas as culpas se atenuam, quando com o filho já nos braços, a mãe sabe que tudo se perdeu e que o destino injusto reservado para aquela nova vida, foi tudo o que ela ofereceu. Destino incerto quase sempre, condenando também aquele pequeno ser, seu fruto uma pesada sentença.
Na improrrogável hora da separação, a dor, o remorso a culpa, a perda mostra-se tão repleta de dor, que suas seqüelas e marcas irreversíveis, são indeléveis, eternas, que nenhuma sentença aplicada pelas leis do homem, podem ser mais pesadas.
Há casos, em que a mulher não
suportando o tamanho de sua culpa e o sofrimento da saudade, pratica o suicídio,
já que com a separação nada mais faz sentido. Executar uma auto punição é
a única forma de pagar pelo fracasso de ter provocado ou
contribuído para que a seu filho lhe fosse retirado e jogado ao mundo.
Após a fase do aleitamento materno, se a mãe tem familiares, e estes que se
responsabilizaram pelos bebes, tudo fica mais fácil, ou menos dolorosos, pois estas crianças
estarão sendo criadas no seio familiar.
Porém, nos casos em que as mães não tiverem
ninguém para olhar por seu bebes, a condição única oferecida, acaba afetando de forma cruel todo um contexto, pois
estas crianças, normalmente serão encaminhadas para uma casa de apoio, com
futuro incerto e muito provavelmente, se perderam daquelas que um dia lhe deram
a vida, desaparecendo com paradeiro incerto e jamais sabido.
No Sistema Prisional de São Paulo, existe o Projeto acorde, que foi criado pela irmã Salete
missionária da igreja Batista e que recebeu um grande incentivo e apoio dos órgãos
governamentais. O trabalho do Acorde embora atualmente atenda um mínimo de
reeducandas, tem como objetivo, adotar provisoriamente algumas crianças. A mãe que não
tem com quem deixar ou entregar seu bebe após o período do aleitamento, passa
a tutela de seus filhos para os pais provisórios, que assumem
responsabilidades com a educação, formação moral e religiosa e a manutenção destas
crianças, mantendo os laços entre mãe e filho, durante o tempo que for
preciso.
Os pais provisórios, aceitam de forma
consciente de que as crianças que estão sob sua guarda, serão devolvidas as
mães biológicas, assim que estas deixarem os cárceres provando que já
estão em condições de manter seu filho. Os que ainda
estão na função de pais provisórios, honram o compromisso firmado,
levando a criança para as visitas, propiciando condições dignas para a
formação de seu caráter e criando de forma magnífica, responsável e humana
o filho provisório que lhe fora entregue.
Contudo, o Projeto Acorde é uma
opção de acolhimento para poucos, pois seus recursos limitam um trabalho
necessário, que poderia se tornar gigantesco.
Em cada dez casos de bebes gerados nos presídios, nove são afetados
brutalmente, principalmente depois do desmame, fazendo com que a criança criada
sem a presença materna, receba reflexos negativos, que podem provocar no futuro
desta criança, seqüelas irreversíveis, como o sentimento de rejeição, a
baixa estima, pouca concentração em atividades, dificuldade para se socializar
e criar amigos, entre outros.
Elizabeth Misciasci