
..."há muitos "Bandidos" que
discorrem muito bem sobre todos os assuntos (assuntos que são de seu
cabal conhecimento) ou seja que lhe convém e estes, sentados atrás de
uma mesa de Madeira de Lei que mais parece ser uma Obra de arte, com seu
"bumbum" acomodado em uma Poltrona de última geração com
direito a massagens...enfim"...
Linguagem
de
Bandido?
Por: Elizabeth Misciasci
Não vejo isso como preconceito, mesmo
porque preconceito é crime, que um colega de profissão não cometeria
provocando tamanha irresponsabilidade, uma vez que é um forte e respeitado
formador de opinião. Acredito sim, na falta de "entendimento
de causa" com a parte pobre e menos privilegiada da
sociedade,e com a necessidade de cobrar de todos "o saber" sem
compreender que nem todos tiveram ou tem as mesmas chances, falou no ímpeto
do momento, e por fim, tratou um assunto sério, de forma
que não lhe é peculiar. O que se fez de forma contraditória aos seus
conceitos e posturas diante das mais diferentes circunstancias já
vivenciadas, que por sermos conhecedores de suas posições, perfil e ética
profissional, até nos surpreendeu. Mas resolvi responder, porque achei
necessário também expor o meu ponto de vista.
O que se discutia na verdade, era a falta
de substituir palavras corriqueiras e populares, por narrativas formais, com
o emprego o de palavras mais difíceis, o que ele chamaria de
intelectualizadas. Porém, num País que quer ser elite até na forma de falar,
dirigindo textos apenas para aqueles que não só tiveram a chance de cursar
ótimas Faculdades, como para os que podem e tem acessos a todos os meios de
comunicação é uma forma de descriminar.
O "povo" na sua maioria com formação
primaria ou nenhuma, ainda se empenha e se interessa em adquirir
conhecimentos, quando percebe que um artigo ou matéria é
direcionado a todos e não apenas para os que são ou se acham exímios
conhecedores de tudo os grandes intelectos.
Se "nós"
usamos a linguagem cotidiana, respeitando os termos para não impedir que a
maioria que é da "classe baixa renda ou baixo conhecimento por
falta de oportunidades" entendam o que queremos passar, estamos não
só ajudando a construir um País mais consciente, como também Respeitando
os que como "nós" não tiveram as mesmas condições. Imagine um
senhor que mora no interior de um Estado bem
humilde, que nunca freqüentou
a Escola e que com muito custo aprendeu a ler e escrever somente com seus 30
anos, ter que procurar em um dicionário o significado de termos arcaicos e
patriarcalistas para entender determinadas palavras e dar sentido a uma
frase. Das duas uma, ou "fingirá" que entendeu, ou não continuará
a Leitura.
Não entendo, como pode haver algum problema em utilizar o termo
"laranja" num artigo, ou ter que evidenciar
em outras
palavras que "laranja" é um "testa de ferro" ou
seja um ser que usado por outros, assume a culpabilidade de um contexto
que ás vezes, (ou melhor SEMPRE) DESCONHECE. E digo SEMPRE porque
"laranja" é o infeliz que não sabe a que proporção esta
sendo usado.
Não vivemos na Europa, não somos filhos de
outras Pátrias desenvolvidas. Somos Brasileiros, pobres na maioria, que em
1940 pelo Decreto Lei 2.162 tinha como salário mínimo 240 mil réis, (em
1960 pelo decreto 49.119-A- Cr$ 9.600,00, em 1.980 pelo decreto 84.674 Cr$
4.149,60, em 1990 pelo Decreto 98.900 NCz$ 2.004,37, em 01.04.2000, o
salário mínimo já transformado milhares de vezes, tal qual nossas
"moedas correntes" R$ 151,00, em 01.05.2001, salário mínimo R$
180,00, em 01.05.2002- R$200,00), para finalmente em abril de 2003
chegar a "milagrosa" quantia de R$ 240,00, ou seja depois de 63
anos, só os zeros foram alterados... pois a evolução foi tamanha,
financeiramente falando, que "tentou, mudou, rodou" e
"finalmente conseguiu" voltamos aos 240...somos pobres por conseqüências
e por condições, fato inconteste.
Muitos "milagrosamente"
agradecem quando se submetem ou se sujeitam a ganhar duzentos e quarenta
Reais por mês, para pelo menos garantir um pedaço de pão (ás vezes nem
isso) pra sobreviver. Quem "apenas respira" (muito mal se for nas
grandes metrópoles), já tem que agradecer por "respirar"
...e quase nunca, tem acesso as informações e quando estas chegam,
necessitam ser cristalinas.
O que importa é a segurança da fonte, a
veracidade dos fatos e o respeito com o leitor, isso se estivermos realmente
dispostos a noticiar e informar. Pois isto sim deveria levar muitos a reflexões
e extensos textos que não pagam a conta de um aposentado que depende de uma
caixa de remédio de R$ 160,00 para não morrer de Hipertensão ou aliviar
as dores de um ser humano em qualquer outra doença. Só que talvez
milhares de pessoas não saibam das dificuldades alheias, ou fingem
desconhecer, pois muitos não gostam de falar do que é "feio" ou
que por sua também omissão, se faz conivente. Mas "nós"
jornalistas e Humanistas temos a total liberdade de expressão, a partir do
Momento em que atuamos lado á lado com a sociedade e não contra esta. E, a
forma de se redigir um texto, não é de competência de "colegas"
"julgar" se esta certo ou errado. Pois o Direito de um começa,
quando este não ultrapassa ou "subtrai" o de outro. Alguém
para questionar tem antes que "engolir" nossa Constituição,
depois o "código de ética" e se tiver um "tempinho"
ler algumas passagens da Bíblia, do Alcorão, ou da crença que lhe
norteia, ai sim entenderei que "nós" jornalistas estaremos
falando o mesmo dialeto e este para o entendimento de todos e não
apenas para os que continuam fazendo do Brasil, um País ridiculamente
preconceituoso e Ditador que cria seus preceitos e atua apenas para a classe
alta ou para os que nunca souberam o que significa ver uma pessoa
adulta, se esforçando num Mobral.
Não falo aqui de linguagem de
"Bandido", pois há muitos "Bandidos" que
discorrem muito bem sobre todos os assuntos (assuntos que são de seu
cabal conhecimento) ou seja que lhe convém e estes, sentados atrás de
uma mesa de Madeira de Lei que mais parece ser uma Obra de arte, com seu
"bumbum" acomodado em uma Poltrona de última geração com
direito a massagens...enfim.. pois "bandido", nada mais é do que
malfeitor, "pessoa de mal sentimentos"... e desconheço que uma
pessoa que faz de seu trabalho uma forma de não calar a voz da sociedade,
nem omitir realidades cotidianas, tenham "mal sentimentos" em suas
informações, isso é por via de regra, claro que há exceções...
Em um País em que nossa geração de
adolescentes aderiram a "gíria" como diálogo, não se pode
dizer que os exemplos dados, são linguagens necessariamente usadas por
"bandidos", pois aí sim estaremos pecando ou cometendo crimes até
maiores, estaremos "criando a geração marginais" já que estes
skatistas, expertos em informática, esportistas, darks, punks, estudantes, não
se diferenciam ao conversar, será que para não serem
ridicularizados, ignorados ou "gostam da linguagem de bandidos"? E "falo
porque vivo com adolescentes e este é meu filho" que estuda em uma
das melhores Faculdades do estado, aonde filhos de Juízes e promotores,
também são alunos e amigos dele. A Linguagem é a mesma... as Notas são
as melhores e eles tem acesso a todos os meios de comunicação e posso
garantir, não aprenderam na TV, nem em jornais ou revistas, pois "esta
moçada" não "curte" porque não é muito
"chegada" a estas "paradas".
Estes jovens sabem até mais do
que "nós", conhecem biografias de grandes nomes da Literatura, da ciência
e são mais atualizados e preparados para debater sobre qualquer assunto, se
necessário for, sem usar "as gírias". Então, acho que a partir
do momento que "preconceito" é crime, pelo menos era até alguns
minutos atrás, exerce-lo para dirimir questões relacionadas a forma de
expressão que também até minutos atrás era livre, quem esta
cometendo o erro maior? Não que eu queira acreditar que neste caso o
preconceito se fez presente, pois como disse no início, o colega ao qual
respondo, é centrado, inteligente e ético.
Agora, "lavando a alma" preciso
questionar:-
-Quem escreve usando termos cotidianos
direcionados para todos não tem este direito por que? Este então só é
dado ou permitido para quem exercita livremente a pratica do
preconceito? E veja bem, não quero acreditar que este tenha sido praticado,
principalmente por alguém que sempre hasteou bandeiras contra este tipo de
comportamento, ao menos que o preconceito deixou de ser crime. Será que "Preconceito é
crime ainda?! Ou tudo na vida e com as pessoas mudou velozmente, que por não
"estar ligada" "deixei passar batido" afinal, se
não estava "antenada" posso ter perdido a "evolução"
comportamental do meu colega e a reformulação do código penal.
Agora voltando ao
contexto da linguagem "marginalizada" como li no texto
maravilhosamente redigido pelo colega, vou novamente comentar, já que
não concorda com termos usados por profissionais da comunicação, tipo
"laranja" ao invés de dizer ingênuo ou qualquer outro adjetivo
apropriado para qualificar o termo usado, que apedreja a humanidade que
escreve e fala, repetindo termos "chulos" usados pela "bandidagem,"
que cria crônicas, faz reportagens, entrevistas da melhor qualidade,
porém, peca e não merece qualificação porque ao tentar falar para a
maioria da população, usa a gíria do "fala sério". E por falar
em falar sério, "fala sério" agora:-
-Estou errada, não "me ligando na missão"? -Eloqüência
é inadmissível ou imperdoável?
Sei lá viu! "Fala sério"...