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Por: Elizabeth Misciasci![]()
Quando falo em violência, estendo a todo e qualquer tipo de agressão exercida Contra a Mulher, desde a coação, a ofensa moral e verbal, até e principalmente a física.... Acho fundamental abordar este assunto sempre que possível e isso já faço ha muito tempo.
É maravilhoso estarmos sempre presenteando nossos olhares com aquilo que é belo, mas a vida é um conglomerado de situações reais, aonde Mulheres são brutalmente agredidas, sendo vítimas tanto quanto os filhos por estas concebidos. O mais difícil é que a maioria não consegue encontrar uma saída para seus sofrimentos e as razões são diversas, o que as tornam vulneráveis e impotentes diante das violências sofridas..
Na realidade a Violência Doméstica, em milhares de casos é bem mais impetuosa e quando não deixa marcas indeléveis... é porque uma vida já se foi... E com as cenas que vimos algumas vezes nestes últimos dias, como poderíamos deixar de “alcovitar” sobre essa dolorosa tortura que em pleno século XXI, ainda assombra muitos lares? Interessante, mas há pessoas que não acreditam que isso possa ocorrer e tratam o assunto com total descaso.
Engana-se quem fecha os olhos e tapa os ouvidos para esta dura realidade. Egoísta quem ignora este problema e infeliz quem fala daquilo que teve a sorte de não viver e com sarcasmos debocha ou pouco se importa.
Existem milhares de motivos que impedem uma mulher á denunciar o próprio marido, assim como filhas sofrem abusos e pela imaturidade ou pela vergonha que a própria condição impõe, permanecem caladas muitas vezes até o fim de seus dias...
A mulher ao prestar uma queixa, retorna ao “lar”, sem nenhuma segurança de que terá tempo o suficiente para ver punido aquele que na maioria das relações problemáticas literalmente destruiu sua vida. Pois temos bandidos e psicopatas em potencial vivendo soltos e causando marcas irreversíveis em suas companheiras e filhos. É fácil denunciar? - Não! Pois o amor que um dia sobreviveu aos mais baixos golpes da vida, com o tempo, as marcas as dores e as vergonhas recalcadas, transformaram-se em pânico e feridas...
A maioria dos agressores subestima as autoridades e não se inibe com uma intimação ou um belo sermão de um Exmo Juízo, ao contrário, no retorno carregam consigo uma bagagem de ódio maior, ou necessidade de punir "sua traidora e ingrata companheira" e é ai que muitas tragédias acontecem... Aonde não suportando mais os traumas a vítima reage repelindo em gesto bruto uma violência e seu fim é aquele que muitos conhecem, dificilmente consegue escapar do cárcere, cárcere esse que passa a ser a sua conquista de Liberdade... Óbvio que não estou falando das mulheres que “ por seus Homens” tornam-se coniventes e em parceria sabem das atrocidades cometidas com filhos (principalmente filhas) e finge desconhecer. Há casos em que a Mulher chega a mandar a(s) filha(s) para casa de familiares, mas não abandona seu parceiro. É outra forma e talvez a pior de violentar destruir a vida de uma mulher de uma menina que nem imagina as seqüelas que a vida lhe reservará. Temos visto e ouvido muito sobre o assunto, um dos motivos de nos empenharmos no zaP!
Precisamos entender que o
desamor recebido, fere a alma e esta não cicatriza,
diante da dor moral inserida no ato abusivo da violência.
O amor virou palavra banalizada, passou a ser teatralizado, diariamente, de modo
permissivo.
Ao
lermos a mensagem do Dr.
Raymundo
Silveira,
Por:-Dr.
Raymundo Silveira
{Exerce a Medicina Ginecológica e é
Escritor}
"-Exerço
a Medicina na especialidade de ginecologia há mais de trinta anos. A princípio
praticava também cirurgia geral e emergência. Quase todos os dias sou
testemunha de casos escabrosos onde mulheres são vítimas da brutalidade dos
homens. Um dos primeiros casos que atendi, foi o de uma senhora humilde, de
cerca de 34 anos. Aquele episódio nunca mais saiu da minha memória. O
celerado enfiou uma peixeira no olho da companheira, quebrou o cabo e deixou a
lâmina enfiada. Faltaram 2 ou 3 milímetro para atingir o cérebro. A
cirurgia só demorou por causa da força que tivemos de fazer para desenterrar
a lâmina da cavidade orbicular. Naturalmente a desgraçada perdeu o olho.
Quase perdeu a vida! Este episódio me marcou muito em virtude de haver sido o
primeiro que testemunhei, todavia há coisas bem piores. Já assisti ao pré-natal
e ao parto de meia dúzia de menores cujos filhos, o pai e o avô eram a mesma
pessoa! Mulheres esfaqueadas até à morte ou muito próximo dela por
“companheiros” embriagados. A incidência de SIDA/AIDS entre as “Evas”
está aumentando assustadoramente, mesmo naquelas com parceiros fixos. Elas
ignoram a bissexualidade deles. A natureza parece ser um pouco mais madrasta
com elas do que com os homens. Como a vagina é o receptáculo natural do sêmen,
este ao permanecer aí durante mais tempo, favorece as infecções. Não
pensem que isto só se verifica entre as pobrezinhas do SUS. Já tenho vários
casos em minha clínica particular. Mulheres fiéis e que confiam cegamente
nos maridos. Para agradar-lhes, aceitam não usar preservativos - a maneira
mais segura - se não a única, de evitar a doença. Isto para não falar dos
dramas da alma que pouquíssimas têm coragem de revelar: estupros (sim, há
estupros entre casais constituídos); perversões sexuais que elas são
obrigadas a praticar por medo de reações violentas; abortamentos forçados;
truculências inauditas. Garanto que vejo isto quase todos os dias, só não
divulgo os nomes das vítimas porque o Código de Ética Médica me proíbe.
Estou falando aqui do que eu próprio observo. Mas não há como negar as
condições humilhantes a que as mulheres estão sujeitas em determinadas regiões
do planeta. Aquele filme “Nunca Sem Minha Filha” tem tudo para ser baseado
em fatos reais. Há certos países que praticam a retirada cirúrgica dos clitóris
de suas meninas a fim de evitarem que elas possam vir a desfrutar de algum
prazer sexual no futuro. Ouço comentários bem procedentes de abortamentos
praticados logo que é diagnosticado o sexo feminino ainda no útero materno,
porque o governo limita o número da prole dos casais, e como estes -
geralmente o lado masculino procriador - preferem os machos...que se
assassinem as menininhas.
Acho as Obras Literárias, a Televisão os Jornais a Internet, enfim a mídia,
excelentes meios de denunciar estes absurdos. Enquanto minha consciência
inquietar-me. Enquanto as náuseas que sinto quando vejo injustiças
praticadas contra mulheres me incomodarem, não hesitarei: porei a “boca no
trombone”. Não nego que elas avançaram muito - a custa de heróicas lutas
- em suas conquistas por uma vida menos indigna, mas penso que ainda faltam
muitas léguas a serem palmilhadas antes de merecerem comemorações. Aliás,
penso que quando chegarmos lá, as homenagens deveriam ser diárias, contínuas,
permanentes. E não apenas num único dia do ano, no
"DIA
INTERNACIONAL DA
MULHER!”
Como Escritoras, Humanistas, formadoras de opiniões e Pesquisadoras, ao elaborarmos o trabalho literário Presídio de Mulheres, procuramos manter a neutralidade, pois não temos o objetivo nem o direito de julgar nenhuma das protagonistas divulgadas na Obra, nem o Sistema Penitenciário, nem tão pouco os que neles sobrevivem. Porém, entre os 200 relatos que colhemos na ocasião das entrevistas e posteriormente com os contatos mais constantes e diários em virtude do Projeto zaP!, tomamos conhecimento que muitas das mulheres que vivem ou já viveram no cárcere, passaram por situações idênticas como as aqui relatadas de maneira tão expressiva.
Diante de tais
fatos, no ímpeto de tanta humilhação e violência sofrida, até por
uma questão de legitima defesa, algumas, acabaram
cometendo crimes de homicídio doloso, sendo a “vítima” o companheiro, ou
marido... Não generalizando, nem partindo pra defesa criminal, ou pessoal,
{longe de julgamentos} percebemos que infelizmente há casos de
barbáries onde a verdadeira vítima trocou de condição, passando para o
lado de réu... Fizemos questão de apurar alguns destes casos {que
confessamos muito nos afetou emocionalmente}; verificando processos
junto aos juízos em que estas reeducandas foram
apenadas, pudemos dar credibilidade a vários depoimentos narrados.
E acreditem, existem casos muito mais sérios e inacreditáveis, embora
não justifiquem a prática de crimes,
como um assassinato, para colocar
um basta a uma situação insuportável...Claro que em toda regra há
exceções, assim sendo, cada caso é um caso isolado. Quando se
fala de “indivíduos que por trazerem riscos
a sociedade, precisam de reclusão”, muitos tiram suas conclusões
e não entendem ou desconhecem que há casos e “casos” e fazem seus
julgamentos pessoais estendendo a todos. Acreditamos
até que essa postura se dá pela própria violência que a cada dia parece
crescer mais e mais...Porém, quando falamos de PRESÍDIO DE MULHERES, estamos
falando de instituições penais femininas,
aonde ainda se encontram muitas mulheres que não estão com suas culpas configuradas
por não ter ainda transito em julgado a sentença penal
condenatória. SABEMOS que umas
terão de volta a liberdade
por total falta de elementos que comprovem a autoria nos autos, e estas sem
condições de arcarem com os justos honorários dos profissionais que exercem
o Direito, vão amargando dias a fio atrás das grades. Como
sabemos também que outras já cumprem suas penas {pelos mais diversos tipos
de crimes}, e terão que pagar pelos mesmos até o final. Pois entre estas
quase 12.000 [{D0ZE MIL} mulheres mantidas em cárcere hoje no Brasil, também
existem criminosas de alta periculosidade, e essas demonstram um perfil de
psicopatia que as tornam perigosas, até mesmo em razão de alguma disfunção
impedindo o raciocínio aonde sem nenhuma demonstração de sentimentos não
se importam nem em matar nem em morrer, e que necessitam de
acompanhamento e rigor ao serem tratadas, principalmente porque estas não
conseguem entender a gravidade de seus atos.
Mas falando em percentuais, aproximadamente 40% destas mulheres, não deveriam estar na condição de Presidiárias, porque ou os delitos são insignificantes para a severidade da aplicação das penas de restrição da liberdade, ou são inocentes, ou vítimas de violências principalmente as domésticas.
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